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Regressar aos 50 minutos de aula, extinguir as áreas não disciplinares, reduzir o número de disciplinas e o horário obrigatório dos alunos, criar exames obrigatórios no final de cada ciclo. Estas são algumas das propostas dos professores, expressas na Internet, onde os profissionais se queixam de não ser ouvidos pelo Ministério da Educação, pelos grupos de trabalho escolhidos pela tutela e pela comunicação social. O PÚBLICO foi lê-los e ouvi-los.

Na Internet, nos blogues e fóruns de professores há propostas como a da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE) ou os inquéritos lançados por Paulo Guinote, professor e autor do blogue A educação do meu umbigo, sobre as mudanças a fazer no 3.º ciclo. O Ministério da Educação (ME) criou um grupo de trabalho, liderado pelo investigador João Formosinho, para fazer propostas de "reajustamento" para os 7.º, 8.º e 9.º anos. A proposta será entregue em Abril. A tutela decidirá depois como será "divulgada, disseminada e aplicada", avança o gabinete de imprensa do ME.

Para João Formosinho, ouvir os especialistas é uma maneira mais "isenta" de o ME trabalhar. Explica: apesar de a maioria dos professores pensar que os currículos são muito extensos e há demasiadas disciplinas, já não há consenso sobre onde e o que cortar. "Se fôssemos ouvir as associações de professores [de Matemática, Língua Portuguesa, etc.] transmitiríamos a ideia de que o que está em causa é o número de disciplinas", avança.

Inquéritos e exames

Além dos currículos, a sociedade exige uma escola a tempo inteiro, continua. "O que temos de definir é se as actividades são de carácter disciplinar ou não. É esse equilíbrio que deve ser encontrado", acrescenta. "Há uma ideia presente: que, na gestão curricular, as escolas devem ter um papel importante e que, a nível nacional, deve haver balizas para as escolas adaptarem ao contexto onde estão", revela Formosinho.

Ricardo Silva, da APEDE, concorda que deve haver um currículo mínimo e que caberá aos grupos disciplinares de cada escola gerir os conteúdos programáticos. Deve ainda haver exames para todas as disciplinas, no final de cada ciclo e com um peso de 40 por cento na classificação final.

Nas últimas semanas, Paulo Guinote colocou no seu blogue vários inquéritos aos professores sobre a reforma do 3.º ciclo (ver infografia). Em média responderam 798 docentes e a maioria é a favor da extinção das áreas disciplinares não curriculares (Estudo Acompanhado, Área Projecto e Formação Cívica). Para a APEDE, que lamenta não ter sido ainda recebida pelo ME, estas devem ser integradas nas disciplinas curriculares.

Os inquiridos também preferem voltar a ter aulas de 50 minutos e pensam que os alunos devem ser avaliados numa escala de 0 a 20, como acontece no secundário. Para Formosinho, os 50 minutos são para transmitir matéria, não dando espaço a outras actividades em sala de aula.

Se em outras alturas, como nas reformas de Roberto Carneiro ou de Marçal Grilo, houve a preocupação de ouvir os professores, desta vez ainda não se sabe como é que a tutela irá gerir este processo, que deverá entrar nas escolas já no próximo ano lectivo. João Formosinho pensa que "a sociedade não está mobilizada". E diz que "a situação actual é muito diferente" da das anteriores reformas.

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