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Associações criticam custos e defendem alargamento dos testes a outras disciplinas

Cerca de 230 mil alunos dos 4.º e 6.º anos fazem amanhã a primeira das duas provas de aferição, a de Língua Portuguesa, ao passo que a de Matemática está marcada para sexta-feira. Mas a finalidade destes testes reúne cada vez menos consensos.

Professores e especialistas nas disciplinas acham que as provas deviam contar para a nota ou então passarem a ser feitas apenas em algumas escolas. As provas de aferição, feitas exclusivamente nestas duas disciplinas, começaram a ser aplicadas há dez anos, mas o facto de não contarem para a classificação final faz com não sejam levadas a sério pelos alunos. Por isso, o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), Nuno Crato, defende que "as provas deviam contar para a nota". Mas nesse caso deviam "ser bem feitas", já que "são de um grau de exigência bastante inferior à prática dos professores e ao nível médio dos manuais". Já o presidente da Associação de Professores de Português (APP), Paulo Feytor Pinto, considera que estes exames "deveriam ser feitos apenas a uma amostra de alunos". "O Ministério da Educação diz que as provas de aferição não são para avaliar os alunos, nem os professores e nem as escolas, mas que servem para avaliar o sistema de ensino. Então porque é que não fazemos por amostra como faz a OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico]?", questiona o professor. A APP critica ainda os elevados custos que estas provas representam. "Não sabemos quanto custam, mas gostávamos de saber. São enunciados de 15 páginas, transportados em carros de alta segurança, que depois os voltam a recolher. Tudo isto tem um custo elevado, quando outros países fazem apenas testes a uma amostra", aponta o dirigente da associação. O DN tentou junto do Ministério da Educação apurar os custos das provas de aferição, mas não obteve resposta. Os professores de Português propõem ainda que as provas de aferição sejam alargadas a todas as disciplinas, de forma rotativa, todos os anos. Isto permitiria avaliar os conhecimentos dos alunos em todas as disciplinas, argumenta Paulo Feytor Pinto. O dirigente alerta ainda para a necessidade de alargar os temas da prova a toda a matéria dada e não apenas a uma parte. "Como são feitas agora pode-se treinar os alunos para responder bem às perguntas daquela matéria, tornando as provas mais fáceis", defende. Também o presidente da SPM refere que as provas tal como estão "desautorizam o esforço dos professores para elevar o nível dos alunos".Para a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) as provas de aferição "fazem sentido". Albino Almeida sublinha que está a ser preparada a estratégia nacional para o currículo e que daqui podem sair novos objectivos. Mas até lá, as provas cumprem o seu papel. "Têm o valor de familiarizar os alunos com os exames e de aferirem aquilo que as escolas ensinam e os alunos aprendem", explica Albino Almeida. Neste sentido, "são importantes, mas podem vir a evoluir".

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